terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Livro eletrônico


Livros utilizam papel e papel destroi o planeta porque mata as arvores. Este é um ciclo sem fim que vai por nossa nave mãe a pegar fogo certo? Bom, o homem criou o problema, ele que resolva, e já está achando meios de resolver. Ai vem o livro eletrônico. Cabem mais de 1500 livros em um aparelho plástico que tem uma tela grande, do tamanho aproximado de um livro de verdade.
Tem gente que ainda vai preferir o cheiro dos livros de papel. Tem gente que vai anunciar o fim das bibliotecas tradicionais...alias, de certa forma o professor Milanesi está certo, a biblioteca tradicional está fadada a decadência.Primeiro porque "ninguém merece" ter que ler em um lugar onde transita a turma do psiu. Se eles querem que os outros façam silêncio o tempo todo na biblioteca, vão ficar isolados. Segundo porque a biblioteca (principalmente a publica) é lenta, não tem aparelhagem suficiente e os móveis de acomodação do ator mais importante de uma biblioteca, o leitor, são desconfortáveis. Falar em conforto, que tal ter 1500 livros no conforto de qualquer lugar que você escolher? bom, entre no link que vou deixar e conheça o livro eletrônico, profetizado por muitos como o fim das biblioteca, inclusive pelo meu grande e admirado professor Milanesi.

http://www.youtube.com/watch?v=aJR_9F6DGOc

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Mensagem de uma amiga

Rudi,
Bato muito nesta tecla: criança perde, ou não adquire o hábito de ler por vários motivos:Vejam se concordam comigo:
-raras vezes vê seus pais lendo.-tem hora pra tudo em casa, menos pra leitura.-livros são caros, brinquedos também, mas criança quer brinquedo, leva pra passear no Shopping, mas passa batido pela livraria, pela banca de jornais.-Filmes, jogos, desenhos animados, internet, são vistos como oponentes dos livros e não como complementos.-Bibliotecas geralmente são chatas, pomposas. O velho XIIIIIIIIII!! Silêncio! Assusta porque criança gosta de descontração, quer ler deitada na almofada... Deveriam existir espaços para crianças nas bibliotecas: almofadões, lanchinho, etc.(escrevi um post sobre isso há um tempo atrás, porque o povo fica um tempão nas bancas, mas não entra 10 min na biblioteca do seu bairro?)http://melhorart.blogspot.com/2008/05/entre-melancias-e-presuntos.html-Na escola, os livros quase nunca saem da sala. Ler é bom até no recreio!-A própria escola, muitas vezes, transforma a leitura num fardo. Odiava o bendito livro extra-classe. Tive de ler Memórias Póstumas de Brás Cubas na sétima série- não entendi xondas... Em compensação, Mar Morto, de Jorge Amado, aos 15 anos, foi fascinante!! Livro obrigatório é livro mal lido.

Reposta a um e-mail de uma amiga...

Pais que não lêem. A historia do livro no Brasil é uma história que começou errada. No início não havia livros a não ser o que os colonizadores traziam. Mas, de qualquer modo, para que livros aos montes se a população era analfabeta? E mais, livros trazem conhecimentos, ativam dúvidas e arguições e até revoltas. Então o conhecimento tinha que ficar na mão dos que detinham o poder e ponto. Livros eram e são perigosos. Digo isto porque você pode usálos para o bem ou para o mal, como os aviões. Então para que os que tinham poder sobre a cultura iriam dividir a informação com as massas, afinal todos sabemos que informação é poder. Mas, aos trancos e barrancos, foram se formando as primeiras bibliotecas. Os livros eram, na sua esmagadora maioria livros estrangeiros em lingua estrangeira. Inclusive houve épocas em que se falava aqui uma mistura de tupi-guarani com português. Dai nem os livros em portugues eram livros compreensíveis para as massas. Quem dirá os livros em frances e alemão que vinham nos navios muitas vezes até contrabandeados. Bom, mesmo na europa os mosteiros que abrigavam os livros eram fechados aos leigos e livro era algo muito raro e de difícil acesso. A turma do psiuuu nas bibliotecas e as velhinhas de birote que separam nossos filhos dos livros são gente que herdou uma outra coisa, que não foi uma massa de analfabetos tão grande como no início, mas que ainda é do tempo em que livro era uma preciosidade e preservar era o lema. Com a chegada do livro de bolso no Brasil esta cultura da preservação e do foco no acervo ao inves de foco no usuário foi sendo abrandada, ou seja, livro passou a ser um material de consumo que lemos e descartamos. Esta é a idéia do livro de bolso. Bom, ainda bem que estamos formando novas cabeças na biblioteconomia e na pedagogia que já enfrentam a turma do psiu. Eu, por exemplo, na biblioteca escolar em que atuei semestre passado era a favor do extermínio do balcão que separava meus alunos dos livros e psiu então nem se fala. Eu deixava por exemplo eles ouvirem aparelhos na biblioteca e eles mesmos se policiavam para não atrapalhar que estivesse lendo ou fazendo o dever de casa. Como pai, eu hoje mesmo estava pensando, será que eu leio tanto assim? Pergunte a você mesmo quantos livros lê por mês? três? uhu...muito bem...dois? ainda está bom de mais, isto daria 24 livros por ano. Um? 12 livros em um ano de 365...ainda é melhor do que nada. Menos que um...um livro a cada 3 meses... bom, as perguntas tendem ao zero, você já adivinhou. Eu tenho um habito de leitura que me permite ao menos não ficar sem ler nada, mas não detono um livro por mês, quanto menos 3. Então ainda há algo errado com nossa geração. tenho 44 anos, sou da geração televisão. era bem melhor assistir televisão do que ler quando eu era jovem e livro era super caro. Havia dias, quando eu tinha uns 20 anos em que eu era capaz de passar um dia inteiro assistindo TV. Não saia de casa nem para cuspir, como dizia meu falecido pai. Então era bem mais fácil consumir imagens prontas, programas no sentido exato da palavra. Era tudo programado, inclusive me programavam para comprar tenis rainha, porque era o "melhor" e calça levis, porque tinha uma moça muito bonita que usava na tv. Meus sonhos e minhas aspirações eram programadas pela tv. Me lembro também que isto não era confortável. Havia um grande vazio que só era preenchido alguns dias por mês quando eu recebia o pagamento e comprava o que dava com a merréca. Sei que não é todo mundo que passou por isto, mas garanto que uma boa parte dos quarentoes de hoje que são pais e avós tiveram uma mocidade assim. Dai veio a internet, os jogos eletronicos, a tv continuou atrativa e os aparelhos eletronicos acessórios como walk man, disc man e hoje tocadores de mp3 e afins. E estamos criando filhos que, é claro, preferem tudo isto a uma boa leitura. Por que os pais não leem, porque os professores também não lêem(em sua maioria só lêem coisas da área e olhe lá), porque os amigos não lêem, porque os avós então, nem pensar. Bom. é uma discussão que vai dar um TCC e, se tudo der certo, um livro. veja que só aqui já deu este papiro. Depois vem os outros itens. Livro é caro. É mesmo, ainda é. 20 pilas por um livro considerado barato é muito. Se o leitor for havido e, sendo criança tiver todo o tempo do mundo para ler, é uma brincadeira cara para os pais. E os livros que são 50, 60 reais? As crianças que leem gostam de Harry Potter, Crônicas de Narnia, O senhor dos anéis, vai ver quanto custa uma coleção disto... é claro que dar um mp3 é bem mais barato pois música a molecada baixa da internet e ouve até ficarem surdos(um dos perigos dos novos tempos). Mas pais que dão prioridade ao livro são raros. Pais que dão livro de presente são criticados pelos filhos. Pais que enchem o saco para ler são carrascos. e Ficamos com mais um problema... como incentivar sem encher o saco da molecada? Bom, acho que o resto fica para um proximo hound...se não ninguém vai aguentar ler meus papiros.. Vamos lá, aqueçam esta discussão tão importante. Quais os caminhos e soluções para revertermos o quadro?

sexta-feira, 25 de abril de 2008

ANALFABETISMO EM QUADRINHOS !

FONTE: http://gibitecacom.blogspot.com/2008/03/alunos-tem-dificuldade-at-mesmo-de-ler.html

No Blog dos quadrinhos foram postados dados alarmantes sobre a leitura, em São Paulo, no dia 14 de março, deste mês. Preocupada eu resolvi fazer uma pesquisa sobre o assunto. Os dados desta pesquisa foram publicados por Ednei Procópio, em Um blog escrito a giz, da Giz Editorial, uma empresa especializada na prestação de serviços alternativos ao mercado editorial, no dia 03 de novembro de 2007. As fontes das pesquisa de Ednei partiram de matérias e reportagens de jornais e revistas, incluindo relatórios e pesquisas tirados dos websites das entidades de classes. Ele afirma que há alguns desacordos entre os números, mas o quadro em geral é preocupante.
Para começar, o número de livrarias especializadas no Brasil, ao invés de aumentar, estão diminuindo. Uma pesquisa divulgada pelo Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em setembro de 2007 mostra que, entre 1999 e 2006, o número de municípios que possuem livrarias no país caiu 15,5%.
Destas, 68% das livrarias brasileiras se concentram no Sudeste e no Sul. Mais de mil delas estão centralizadas em apenas dois estados: São Paulo e Rio de Janeiro. Só em São Paulo são 676 livrarias, o maior número do país para uma população de 40 milhões de habitantes. Segundo recomendações das Organizações das Nações Unidas uma livraria para cada 10 mil habitantes.
Segundo a matéria, elas estão distribuídas nacionalmente da seguinte forma:
3% Distrito Federal
5% Norte
4% Centro-Oeste
15% Sul
20% Nordeste
53% na região Sudeste, sendo:
48% em São Paulo
24% no Rio de Janeiro
25% em Minas Gerais
3% no Espírito Santo
São apenas 22 mil bancas de jornal, que são considerados pontos alternativos de venda de livros.
Perto de 10% dos 5.564 municípios brasileiros não tem biblioteca. Ainda não há biblioteca pública em 613 municípios. Desde 1999, o índice de presença subiu de 76,3% para 89,1%. Uma margem mínima de 12,8% se avaliarmos o gigantesco trabalho da ONGs e entidades que cuidam da questão da leitura.
Segundo a pesquisa, o objetivo do uso das bibliotecas também está mudando. Cerca de 40% dos usuários de bibliotecas municipais fazem de tudo, menos ler.
Em São Paulo, apenas 15% das escolas possuem bibliotecas. Ou seja, das mais de 5 mil escolas estaduais paulistas, apenas 750 delas têm bibliotecas e apesar de 73% delas contar com salas de leitura, estas nem sempre estão abertas para os alunos. De acordo com uma pesquisa publicada pela Folha de São Paulo, em novembro de 2007 (...) ao ler um documento, esses alunos não são capazes de identificar, por exemplo, que se trata de uma conta de água. Têm também dificuldades para entender o contexto de uma história em quadrinhos (..)
Somando-s e a tudo isto está o fato de mais de 70% da população adulta não possuir o hábito da leitura. Perto de 75% dos livros, no Brasil, estão nas mãos de apenas 20% da população [ou seja, perto de 230 milhões de livros estão nas mãos de apenas 35 ou no máximo de 40 milhões de leitores]. Basicamente a população do Estado de São Paulo.
Um indicador nacional de analfabetismo funcional em 2005 mostrava que 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos não conseguiam localizar informações em textos longos, apenas nos textos curtos.
Somados aos dados de Edmar, estão resultados da Prova Brasil feitas em todo o Brasil, no ano de 2006, divulgados pela Revista Nova Escola, na edição de fevereiro de 2007
Na Prova Brasil, numa escala de notas que vão de 125 a 350, as turmas de 4a série atingiram um desempenho médio abaixo de 200 pontos - 172,91 em Língua Portuguesa e 179,98 em Matemática (conheça as principais competências avaliadas pelo MEC nos quadros destas duas páginas). Na 8a série, a situação é ainda mais preocupante: os jovens foram tão mal na média que só dominam os conteúdos previstos para os estudantes da 4a série.
Segundo a avaliação a leitura vai mal, assim como os resultados em matemática. Para 2007 o resultados também não foram os melhores.
Eu, particularmente, presenciei a avaliação do ano passado e os alunos da 8ª série praticamente se recusavam a fazer as provas e as fizeram Por obrigação, praticamente sem nenhum empenho. Acho que isto também contribuí para os resultados negativos. Não há entre os estudantes interesse em se sair bem e, entre os professores existe a idéia de que a prova está ali muito mais para atestas a sua incompetência como docente do que para buscar soluções para os problemas que o ensino enfrenta atualmente.
Acho que os problemas da educação brasileira residem em um quantitativismo governamental, que exige resultados em curto prazo, investindo muito mais em recursos materiais que humanos; a falta de uma formação continuada (adequada) para professores; pouca valorização do magistério; falta de comunicação entre professores, diretores, pais e alunos; burocratização do ensino; falta de incentivo a alunos e professores, o que faz ir a escola – seja pra trabalhar ou estudar – uma tarefa ingrata. Falta investir na auto-estima dos alunos e dos professores. Investir no material humano é, do meu ponto de vista, investir em professores mais engajados e alunos mais interessados.
Outro coisa importante é a escola entender que não se pode delegar a um professor uma tarefa tão grande quanto a de "aprender" a ler. O texto está presente em todos os conteúdos escolares, assim, eu como professora de história tenho que me empenhar em ajudar meus alunos a ler, interpretar e escrever corretamente e cobrar isto deles. O professor de português introduz noções que todos temos que ajudar a trabalhar. É um trabalho conjunto. Se não há esta consciência, então não há um real processo de ensino/aprendizagem

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Divulgando o que é bom....

Só o fato do texto mencionar Daniel Penac já é algo muito bom. O cara entende muito do que é desejar ler e detestar ler. Foi um dos autores que me inspirou a fazer meu TCC sobre o tema do blog.

LEITURA E ENSINO: DEVER OU PRAZER
Maria Cristina Lírio Gurgel (UERJ)

Esta comunicação objetiva apresentar os princípios que devem orientar o trabalho com leitura em sala de aula, exemplificando, através de textos em linguagem verbal e não-verbal, as atividades de que o professor dispõe para desenvolver em seus alunos o prazer e o gosto pela leitura.
A partir da análise crítica dos Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa - 5ª a 8ª séries do ensino fundamental, nos quais a leitura é considerada sob o aspecto discursivo e com base no princípio bakhtiniano de que na leitura há o encontro de dois textos - do que está sendo lido e do que o leitor elabora à medida que lê - e, portanto, o encontro de dois autores (Bakhtin, 1992), pretende-se refletir sobre leitura como construção de subjetividades, como possibilidade de provocar questionamentos, dúvidas - ler é sair do espaço do conhecido, é ousar - e como trabalho, produção.

Leitor e literatura: representações
Segundo Rubem Alves (2002: 45) “ensinar é uma tarefa mágica, capaz de mudar a cabeça de pessoas, bem diferente de dar aulas”. Mas é possível ensinar leitura? Não apenas dar aulas sobre a decodificação das palavras - “ensinar a ler” - como se costuma dizer, empregando mal a palavra ensino, porque na verdade este não é um ato que prenuncia a mudança, como deveria ser. Pennac (1995: 41-2) descreve o momento mágico em que um menino descobre a leitura e a escrita da palavra mamãe:
Com uma voz meio incerta, no começo, ele balbucia as duas sílabas, separadamente: ‘Ma-mãe’.
E, de repente:
- Mamãe!
Esse grito de alegria celebra o resultado da mais gigantesca viagem intelectual que se possa conceber, uma espécie de primeiro passo na lua, a passagem da mais total arbitrariedade gráfica à significação mais carregada de emoção! Pontezinhas, curvas, redondos, nuvem leve... e mamãe! Escrito lá, diante de seus olhos, mas é dentro dele que a coisa explode! Aquilo não é uma combinação de sílabas, não é uma palavra, não é um conceito, não é uma mamãe, é a sua mamãe, a dele, uma transmutação mágica que fala infinitamente mais do que a mais fiel das fotografias. Nada mais do que uns redondos, uma pontezinhas... mas que de repente - e para sempre - deixaram de ser eles mesmos, de serem nada, para se tornarem essa presença, essa voz, esse perfume, essa mão, esse corpo, essa infinidade de detalhes, esse todo, tão intimamente absoluto e tão absolutamente estranho ao que está traçado ali, sobre os trilhos da página, entre as quatro paredes da sala...
A pedra filosofal.
Nem mais nem menos.
Ele acabara de descobrir a pedra filosofal.
Interessante observar o que nos diz Pennac ao narrar este processo mágico em que a palavra, tal qual um casulo, se metamorfoseia, deixa de ser a palavra mamãe para se transformar na própria mãe.
Bakhtin (Volochinov, 1929) ressalta que a palavra, para o falante nativo, não se apresenta como um item de dicionário, na medida em que não são palavras o que ele pronuncia ou escuta, mas verdades, mentiras, coisas boas ou não. A palavra está sempre carregada de um conteúdo de vida.
Na verdade, lembra-nos Bakhtin (opus cit: 108) ,
...a língua não se transmite (...). Os indivíduos não recebem a língua pronta para ser usada; eles mergulham na corrente de comunicação verbal e somente quando isto ocorre é que tomam consciência de si e do mundo que os cerca.
Voltando ao momento mágico de que nos fala Pennac, depois de reconhecer as palavras, de descobrir o que elas encerram de, sendo coisa, personificarem idéias, sentimentos, pessoas - conteúdos de vida - o que ocorre com o aluno em relação à leitura?
Manoel de Barros, na obra Exercícios de ser criança (1999), nos apresenta um personagem, a quem chama “menino”. Bem diferente da maioria dos alunos, o personagem, sem nome ou sobrenome, menino apenas, é sobretudo poeta:
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto no final da frase.
Foi capaz de modificar a tarde
botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou:
Meu filho, você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens.
E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos .
Mas onde está a capacidade dos alunos de perceber, de admirar (mirar além) a poesia, o encanto, a magia que há nos textos? Por que os alunos não gostam de ler?
Muito se tem falado sobre o fracasso do ensino da leitura e sobre a íntima relação entre leitura e cidadania, o que vem aumentar nossa preocupação. Trata-se não somente de leitores, mas de cidadãos que possam participar da história de nosso país. Mas de que forma o conceito de leitura se relaciona à questão da cidadania?

Leitura, escola e cidadania
Quando lemos, estabelecemos nexos, elos, entrelaçamos malhas no texto (do latim textum, que significa tecido). Nesse sentido, segundo Barthes (1977), o leitor é uma aranha: ao mesmo tempo em que tece, segrega a substância com a qual vai tecendo sua teia. Ou seja, o leitor projeta sobre o texto seu conhecimento de mundo, seu conhecimento linguageiro (referente à língua em funcionamento, à linguagem) e seu conhecimento textual, por isso a relação entre leitura e cidadania. Leitura como construção de subjetividades, envolvendo preferências, escolhas e, como diz Pennac, direitos: de pular páginas, de não ler, de ler primeiro o fim e depois o começo, de ler este e não aquele livro, etc.
Rubem Alves diz que a escola insiste em estragar a leitura. Que ela deve ser “uma coisa solta, vagabunda, sem relatórios” e que o professor deve, antes de tudo, seduzir. E por que a necessidade de sedução? Porque ninguém nasce gostando de ler. O prazer estético, ou seja, o gosto pela leitura é despertado em nós por alguém. Ele não nasce conosco.
Na vida dos leitores, há sempre alguém em especial que nos seduz para a leitura, alguém que poderíamos considerar uma espécie de Sherazade, por isso a importância do professor no processo ensino-aprendizagem da leitura.
Luft (1997: 157), ao relatar a história de seus mestres inesquecíveis, descreve o poder de sedução que o professor exerce sobre o aluno:
Ele me ensinou quase tudo que sei: não só o tesouro oculto nas páginas de cada livro fechado, não só a maravilha de cada pequena ou grande descoberta, não só a comunhão com autores e leitores, mas a sabedoria da vida cotidiana. (...)
Esse é o verdadeiro mestre: o que não castiga mas impele, o que não doutrina mas desperta a curiosidade e a acompanha, o que não impõe mas seduz, o que não quer ser modelo nem exemplo mas companheiro de jornada...
Nesse sentido, refletindo sobre a história de Sherazade, pergunta-se: qual será o caminho para a sedução? Ou seja, como seduzir os alunos?
Conta a história que Sherazade lera livros de toda a espécie, que havia memorizado grande quantidade de poemas e narrativas, que decorara os provérbios populares e as sentenças dos filósofos. Mas a paixão do sultão por ela não se deve à beleza física de Sherazade: ele tinha as mulheres mais lindas do reino; nem às histórias com as quais Sherazade tentava encantá-lo. Ele era sábio, certamente perceberia a estratégia para distraí-lo; foi a linguagem, transformada em pele, com a qual Sherazade roçou o sultão, que o fez se apaixonar. É como se ela tivesse palavras em vez de dedos, ou dedos nas pontas das palavras.
Barthes (1985) teoriza sobre esta transmutação da escrita em sujeito quando aborda em Fragmentos de um discurso amoroso - a emoção do duplo contato da palavra:
... de um lado, toda uma atividade do discurso vem, discretamente, indiretamente, colocar em evidência um significado único que é ‘eu te desejo’ e liberá-lo, alimentá-lo, ramificá-lo, fazê-lo explodir (a linguagem goza de se tocar a si mesma); por outro lado, envolvo o outro nas minhas palavras; eu o acaricio, o roço, prolongo esse roçar, me esforço em fazer durar o comentário com o qual submeto a relação.
Ou seja, quando lemos não interagimos com o texto enquanto objeto, porque o texto, o bom texto, ultrapassa a escritura e se transforma em sujeito. Sujeito com o qual interagimos em um enlace de prazer, de fruidez, tal qual o sultão que, encantado com as histórias de Sherazade, vai adiando por mil e uma noites, eternamente e um dia mais, a decisão de decapitá-la.
Mas na escola o que ocorre é diferente. E por que a diferença? “Ei, você aí que está falando... continua a leitura!” Tal atitude, mesmo sem querer, com o objetivo de envolver o aluno na atividade de leitura, mostra que leitura é castigo. E as famosas provas de leitura? Questões que o aluno responde para que o professor possa certificar-se de que a leitura do livro foi feita, mais do que as descobertas e o prazer que ele, livro, provocou no aluno.
Na abordagem de textos, é comum o professor perguntar ao aluno: o que o texto quis dizer? Quando a pergunta deveria ser: o que você tem a dizer sobre o texto?

Trabalhando a leitura na escola
Os Parâmetros Curriculares Nacionais abordam a importância da escuta de textos orais e escritos. A escola, no entanto, não prepara a leitura. Poucas são as atividades de leitura dramatizada, desenvolvidas em sala de aula. Não se fala aqui de dramatização de texto, mas da possibilidade de o aluno preparar a leitura que vai realizar em sala de aula. Uma atividade interessante - depois da leitura expressiva do texto pelo professor, e do debate com a turma sobre as idéias daquele texto e de outros textos com os quais ele se relaciona pelas semelhanças ou diferenças - é a divisão do texto em personagens, narrador para que os alunos preparem uma leitura significativa, selecionando, inclusive, sons que vão compor a sonoplastia do texto. E depois, a escuta! O prazer de ler, de partilhar descobertas, de comungar... Um movimento que ultrapassa a própria sala de aula, quando se transforma em uma história contada no recreio: “Hoje minha professora deu uma atividade maneira: meu grupo ensaiou o texto e foi tão legal! Todo mundo caiu na risada com a voz que eu fiz pro meu personagem. Maneiro! E a sonoplastia?”
Aí, leitura é prazer! Prazer que deve ser renovado a cada dia. Por isso não se deve falar em hábito de leitura. Hábito implica repetição freqüente de um ato. E ninguém lê hoje porque leu ontem, assim como ninguém ama hoje porque amou ontem. O amor e a leitura, porque têm em comum o prazer, requerem um exercício diário de conquista, de envolvimento, de diálogo com o outro, de sedução. E este princípio contraria a crença, partilhada por muitos de nós, de que existe um leitor formado. Contrapondo-se a essa crença, está a leitura como um processo de produção de sentidos que envolve um tornar-se leitor e um tornar-se texto. Ou seja, diariamente o sujeito se constrói enquanto leitor, quando lê à sua volta o mundo que o cerca e, nesse mundo, os textos com os quais vai compondo suas histórias de leitura.
Como exemplo, a propaganda de produtos Diet - adoçante FINN e Diet Shake - veiculada em um encarte dos Supermercados Zona Sul,em 20 de fevereiro de 2002. No nível do dito, a propaganda traz escrita a frase: “Trazemos a pessoa amada em 7 dias. Peça hoje mesmo pelo Zona Sul Atende” e, no nível do não-dito, a propaganda faz referência através da imagem - trata-se de um cartaz colado em uma parede - àqueles papeizinhos que as cartomantes distribuem. Da relação entre o dito e o não-dito advém o sentido: você vai ficar, em uma semana, elegante, e a pessoa amada virá a seu encontro.
Assim, ao ler essa propaganda, o leitor projeta no texto o seu conhecimento de mundo - as cartomantes são pessoas capazes de adivinhar o futuro e possuem poderes, podem realizar mágicas, revertendo a má sorte no amor, nos negócios, transformando a tristeza em felicidade.
Por outro lado, o conhecimento de mundo do leitor lhe diz que Zona Sul é o nome de um supermercado no qual os produtos “diet” são vendidos. E a esse conhecimento se articula outro: esses produtos fazem emagrecer (ser elegante é sinônimo, em nossa cultura, de ser atraente).O conhecimento linguageiro do leitor também o faz identificar a frase “Trazer a pessoa amada em 7 dias” como a linguagem utilizada pelas cartomantes. Articulado a esses diversos tipos de conhecimentos, o conhecimento textual permite ao leitor verificar que se trata de uma alusão aos famosos papeizinhos que as cartomantes mandam distribuir para atrair clientes; o veículo da mensagem - um cartaz colado em uma parede - atesta isto.
A propaganda que as cartomantes distribuem na rua constitui, inclusive, um material interessante de análise lingüística. Para efeito de análise, reproduzimos a seguir o conteúdo de uma delas.

TENDA DO ORIENTEENSINA-SE SIMPATIA DO AMORPARA FRIEZA SEXUAL E PARA TODOS OS FINS
Profª. Vitória faz cura espiritual atravez dos CRISTAIS
Procure Profª. Vitória ela resolverá com precisão os fatos importantes de vossa vida. Ela não só desvenda a vida do cliente como também se encarrega de fazer qualquer trabalho. Amigo, quer saber a origem de seus fracassos, problemas no lar, dificuldade em arrumar bom emprego, não tem tido sorte no comércio, no amor, enfim de que tratar ela indicará a remoção. Os fatos mais importantes de tua vida como sejam: Frigidez sexual, quedas de lavoura, vicio de embriaguez. Dívidas, viagens, negócios embaraçados, sofrimentos material e espiritual, demanda, vidas amorosas, descobrir alguma coisa que te preocupa, fazer voltar a tua companhia alguém que tenha largado, e destruir algum mal que te preocupa, alcançar bom emprego e prosperidade, facilitar um casamento difícil e seus trabalhos são rápidos e garantidos.
Pode-se observar, a partir da análise lingüística, as estratégias de persuasão utilizadas, através da mistura de tratamentos - do tratamento cerimonioso “resolverá os fatos importantes de vossa vida” - ao coloquial: “Amigo, quer saber a origem de seus fracassos...” . O tratamento cerimonioso (vós) mostra a preocupação com a linguagem culta. Escrever bem é marca de status, de poder. O tratamento coloquial é utilizado para envolver, falar mais de perto ao coração desejoso de felicidade.
Do ponto de vista lingüístico, ressaltam-se, ainda, as expressões populares, tais como: “Os fatos mais importantes de tua vida como sejam: frigidez sexual, quedas de lavoura (...) sofrimentos, (...) demanda, ....”; “fazer voltar a tua companhia alguém que tenha largado ...”). Observa-se que a expressão “quedas de lavoura” está sendo utilizada em sentido figurado, uma vez que esta propaganda foi distribuída em um bairro da Zona Norte e certamente não se refere à colheita, mas a prejuízo nos negócios. E demanda? Geralmente esta palavra refere-se a algo. Assim como oferta, demanda é um termo usado pelos economistas, já incorporado à linguagem do dia-a-dia. E a expressão “alguém que tenha largado” merece a pergunta: largado quem?
Além destas questões, pode ser observada a grafia de palavras como atravez (através), vicio(vício), difícil (difícil) e a pontuação.
Outro material bastante interessante para o trabalho de leitura é a charge. Veiculadas diariamente pelos jornais, enquanto gênero textual, as charges trazem como especificidades a intertextualidade, ou seja, o texto em linguagem não-verbal - a imagem - faz referência a outros textos; e a crítica social a fatos que estão ocorrendo na atualidade. Como se observa na charge de Ique, veiculada pelo JB em 27 de julho, que traz meninos de morro soltando pipas, em uma referência explícita ao tráfico de drogas. Em uma delas, vê-se a imagem do Secretário de Segurança do estado do Rio de Janeiro. Este assunto pode ser motivo de debate em sala de aula, no que concerne ao envolvimento cada vez maior de crianças no crime organizado e às atitudes tomadas pelo Secretário de Segurança que, segundo a visão do chargista, está servindo ao tráfico mais do que o combatendo.
Um outro trabalho que a escola pouco desenvolve é a leitura de imagens - fotos de jornais, de revistas, da família dos alunos, etc. No entanto, a imagem também se constitui uma unidade de significado. E é texto. Uma atividade bastante criativa, que desenvolve a coerência textual e a capacidade de o aluno produzir sentido é a que propõe a criação de textos, a partir de imagens.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais,
... se os sentidos construídos são resultado da articulação entre as informações do texto e os conhecimentos ativados pelo leitor no processo de leitura, o texto não está pronto quando escrito: o modo de ler é também um modo de produzir sentidos. (PCN - Língua Portuguesa, p. 70-1)
Os Parâmetros Curriculares Nacionais reiteram também a importância de o professor desenvolver práticas leitoras com textos de diferentes gêneros e recomendam a necessidade de, na seleção, serem priorizados textos que circulam socialmente.
Neste ponto, cabe ressaltar que os livros didáticos, embora incluam textos de diversos gêneros, ignoram as especificidades e submetem todos os textos a um tratamento uniforme. Como exemplo, a proposta de exercícios sobre o vocabulário, em que o aluno dá sinônimos para palavras ou expressões. Em um texto literário, não se devem substituir palavras. Elas compõem um campo de significação que é representativo. Além disso, esta atividade pouco contribui para o desenvolvimento da capacidade de inferência do leitor. Por outro lado, “Ler por si só já é um trabalho, não é preciso que a cada texto lido se siga um conjunto de tarefas a serem realizadas”. (PCN - Língua Portuguesa, 199: 72).
O importante é que se tenha em mente a necessidade de trabalhar oralmente a linguagem dos textos, como diz Caetano Veloso, “roço minha língua na língua de Camões”. É preciso usufruir o prazer deste beijo.

Considerações finais
Esta reflexão nos permitiu verificar, na prática, a importância de um trabalho significativo com leitura para a formação de leitores críticos que participem da realidade sócio-histórica em que se encontram inseridos.
Reiterando o pensamento bakhtiniano de que a palavra não pode ser desvinculada de seu conteúdo de vida, é necessário que o professor selecione textos que circulem socialmente, trazendo para a sala de aula a realidade viva, pulsante. Por outro lado, que sejam, também, objeto de leitura os textos literários, que podem surpreender, encantar, seduzir.
Bartolomeu Campos Queirós (1999:23) lembra que a iniciação à leitura transcende o ato simples de apresentar ao sujeito as letras, ou seja, formar leitores vai além de se propor a leitura de textos. É preciso, sobretudo, convocar o homem para tomar sua palavra, para inscrever-se entre as palavras do outro:
Desconheço liberdade maior e mais duradoura do que esta do leitor ceder-se à escrita do outro, inscrevendo-se entre as suas palavras e o silêncio. Texto e leitor ultrapassam a solidão individual para se enlaçarem pelas interações. Esse abraço a partir do texto é soma das diferenças, movida pela emoção, estabelecendo um encontro fraterno e possível entre leitor e escritor. Cabe ao escritor estirar sua fantasia para, assim, o leitor projetar seus sonhos.

Bibliografia
ALVES, Rubem. Só aprende quem tem fome. In: Nova Escola. São Paulo, Nº 152, p. 45-7, maio de 2002.
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Trad. de Maria Ermantina Galvão Gomes. São Paulo : Martins Fontes, 1992.
_____. (Volochinov, 1929). Marxismo e filosofia da linguagem. Trad. de Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. 3.ed. São Paulo : Hucitec, 1986.
BARROS, Manoel de Barros. Exercícios de ser criança. Rio de Janeiro : Salamandra, 1999.
BARTHES, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso. 5.ed. Trad. Hortênsia dos Santos. Rio de Janeiro : Francisco Alves, 1985.
BARTHES, Roland. O prazer do texto. Trad. J. Guinsburg. São Paulo : Perspectiva, 1977.
GURGEL, Maria Cristina Lírio. Aula de leitura: o discurso pedagógico e suas crenças. Tese de doutorado, mimeo. LAEL, PUC/SP, maio de 1997.
IQUE. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, sábado, 27 de julho de 2002. 1º caderno, Opinião, p. A-14.
LUFT, Lya. Lembro-me dele. In: ABRAMOVICH, Fanny. (Org.) Meu professor inesquecível: ensinamentos e aprendizados contados por alguns dos nossos melhores escritores. São Paulo : Gente, 1997, p. 151-9.
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília : MEC/SEF, 1998.
PENNAC, Daniel. Como um romance. Trad. de Leny Werneck. Rio de Janeiro : Rocco, 1993.
QUEIRÓS, Bartolomeu Campos. O livro é passaporte, é bilhete de partida. In: PRADO, J. e CONDINI, P. (Org.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro : Argus, 1999, p. 23-4.

A dona aranha subiu pela parede...

Uma biblioteca escolar nada mais é do que uma teia de aranha. O bibliotecario ou a bibliotecaria fica ali espreitando as preferencias dos serezinhos que por ali passam e mais cedo ou mais tarde os prende na teia por um interesse vital ou furtuito. As mães e pais não tem idéia do esforço constante que é feito pelo bibliotecario para apanhar o moleque ou a menina na teia. Conversas daqui e dali , que às crianças parecem conversas inofensivas(e são) são os fios da teis que deserolam uma só intenção do profissional, o de achar o mote, o botão ativador que vai despertar interesse na criança pela leitura. Como diz Herbert Viana ou Cazuza, "quais são as flores e as cores pra te prender". Qual é o botão vermelho que aciona a curiosidade do aluno que odeia ler mas adora internet? Como é que podemos, sendo os tiosinhos ou tiazinhas, nos aproximar e fazer uma sugestão que seja levada a sério. Não é dizendo que a internet não presta que vamos conquistar novos leitores para nossas desertas bibliotecas. Não é proibindo o msn, o orkut ou os jogos on line. Na verdade eu acho que, se o bibliotecário tiver a liberdade para tal, inclusive deve jogar com eles e aprender "a manha" dos jogos. com isto vai aprender a pensar como eles pensam.Quem sabe dai surja um caminho. O fato é que, além da maldita TV que tras tudo pronto e cria um robô perfeitamente dirigivel ao consumo desenfreado, temos agora a internet e seus atrativos. Nem pensar que um aluno adolescente iria largar uma tv ou uma boa internet para ler Machado de Assis. Mas quem sabe para ler livros com titulos estranhos e engraçados como: "Como educar seus pais", ou "Tem uma largatixa dentro do meu computador". Ou mesmo interesses capturados daqui e dali como eu disse antes. O futebol por exemplo pode ser uma fonte de captação. Eu odeio futebol, mas acho que tudo que odeio como por exemplo o vicio em jogos on line e msn, pode se tornar em uma ferramenta aliada se eu descobrir qual é a feitiçaria das coisas.té a proxima.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Mais titulos para o corpus de minha pesquisa

Leitura; Literatura e Escola - Magnani, Maria Rosario Mortati (8533614314)
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O Ensino da Leitura e da Escrita na Fase Inicial de Escolaridade - Abud, Maria Jose Milharezi (851230460X)
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Ensinar a Ler Ensinar a Compreender - Colomer, Teresa; Camps, Anna (8536300493)Sem avaliação avalie este produto

Aprender a Ler e a Escrever - Uma Proposta Construtivista - Teberosky, Ana; Colomer, Teresa (8536300329)

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